Bem-vindos ao Criado-Mudo!



sábado, 11 de dezembro de 2010

Dois passos...

Não vou te julgar, nem posso te rotular,
Que de nossas almas só nós sabemos...
Eu não te conheço, mas sei quem és.

Embora estreitamente ligadas,
Compreensão e entendimento se diferem:
Compreender é saber;
Entender é deduzir saber;

Entender é razão, compreender é alma;
Entender é metade, compreender é todo;

Entender é saber que estrada seguir,
Compreender é saber por que caminho ir.

Dois andarilhos numa mesma estrada
Se conhecem, mas não sabem quem são...
Um entende o outro por estarem na mesma estrada,
Por suporem seguir o mesmo caminho;

Dois andarilhos em estradas diferentes, mas paralelas;
Estradas opostas, mas caminhos iguais,
Esses compreendem um ao outro,
Compreendem o porquê de seguir por ali,
Mas não entendem por que ainda andam opostos,
Em estradas diferentes...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quem é Pessoa?

Nesta vida em que sou meu sono, 
Não sou meu dono, 
Quem sou é quem me ignoro e vive 
Através dessa névoa que sou eu 
Todas as vidas que eu outrora tive, 
Numa só vida. 


[Álvaro de Campos]

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fernando Pessoa.

As coisas nítidas confortam, e as coisas ao sol confortam. Ver passar a vida sob um dia azul compensa-me de muito. Esqueço indefinidamente, esqueço mais do que podia lembrar. O meu coração translúcido e aéreo penetra-se da suficiência das coisas, e olhar basta-me carinhosamente. Nunca eu fui outra coisa que uma visão incorpórea, despida de toda a alma salvo um vago ar que passou e que via.

(Bernado Soares - Livro do Desassossego)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Madrugada.


Estou sem sono; não inteiramente,
Mas não consigo dormir.

Esta é a primeira vez que perco o sono
Por cansaço; antes, estar cansado era
Pretexto para o sono;

Tinha tanto para falar, tanto sentimento dentro,
Que me cansei de repente, e fui me deitar;

Tinha em mente que o sono poderia
Descansar-me de você, meu amor;
Mas hoje a febre foi tão intensa
Que queimou até o sono.

Meu coração está tão negro quanto
O céu; minha visão, tão escura quanto
A noite, não vê mais nada além de
Tua imagem pregada na lembrança.

Ah, mas o amor não permite um coração
Negro assim; como os céus iluminados pelas
Estrelas, o amor clareia o mais escuro dos corações.
E, assim como estes céus cheios de estrelas,
Meu coração está cheio de amor e preenchido
Por ti; só em te pensar minha alma fica bem.

                                                         Vou dormir...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Nada maior.

Eu te vejo em todos os olhares;
Eu te sinto em todos os perfumes;
Eu te acho em todos os lugares;
Mas, de ti, vejo apenas relances.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Palavras mais que palavras.

O preconceito cega o coração daquele convencido demais de sua visão; é mais cego ainda aquele que não enxerga um ato de camaradagem, pois pesa os erros mil vezes maior que os acertos, sem perceber que uma simples palavra altruísta pode mudar uma vida. Uma simples palavra de carinho, respeito e cuidado pode soar como a mais bela canção nos ouvidos de quem a recebe.

Aprendi isso com um cara, numa madrugada qualquer; uma madrugada que seria normal, se não fosse o gesto de, no mínimo, admiração, de outra pessoa: cara, você é legal, por isso estou conversando contigo; pois o mesmo gesto ele presenciou, quando sussurraram no ouvido dele, depois de um assalto: meu maior medo foi te perder naquele momento, você é a única coisa que eu tenho na vida.

Enquanto, aquela que amo, parece não sentir o mesmo. Sinto a sua falta, mesmo nunca tendo sentido sua presença, e ela parece nem perceber; e eu sinto um vazio, que nada mais é que vazio. Se o amor é estúpido, revelo minha fraqueza. Talvez, não seja você aquela que irá me salvar, ou aliviar minha dor; mas se não és tu, quem mais poderia ser? Você me assalta quando dá um passo para trás; pois, quando você caminha para longe, quem mais fica?

Deixa pra lá, já que não é você quem vai me salvar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sol nascente

Se amanhã nascer,
E eu sem ter você,
Culpo o sol nascente,
Que te levou para ser
Sua única estrela.

domingo, 18 de julho de 2010

On The Sea

It keeps eternal whisperings around
Desolate shores, and with its mighty swell
Gluts twice ten thousand Caverns, till the spell
Of Hecate leaves them their old shadowy sound.
Often 'tis in such gentle temper found,
That scarcely will the very smallest shell
Be moved for days from where it sometime fell.
When last the winds of Heaven were unbound.
Oh, ye! who have your eyeballs vexed and tired,
Feast them upon the wideness of the Sea;
Oh ye! whose ears are dinned with uproar rude,
Or fed too much with cloying melody---
Sit ye near some old Cavern's Mouth and brood,
Until ye start, as if the sea nymphs quir'ed!

(John Keats).

No Mar.
Mantém sussurros eternos ao redor
de praias desertas, e com suas ondas fortes
Inunda vinte mil cavernas, até que o feitiço
De Hecate deixa seu velho sombrio som.
Muitas vezes, se encontra em temperamento gentil,
Que a menor das conchas ira
Se mover por os dias de onde ele caiu em algum momento.
Quando o último dos ventos do céu forem soprados.
Oh, vós! que seus olhos atormentados e cansados,
Regala-os sobre a amplidao do mar;
Ah, pois! cujos ouvidos estão atordoados com barulho rude,
Ou alimentados com muita melodia enjoativa ---
Sentai-vos perto da boca de alguma caverna velha.
Até comece a vós, como se as ninfas do mar cantassem.

sábado, 17 de julho de 2010

Vou sair.

Vou sair numa manha de domingo,
Fria e opaca, onde o sol não tem vez.
Vou caminhar ao som dos pássaros
E ao vento das árvores.

Seguirei o caminho reto da rua;
Reto e íngreme.
Sentindo o vento frio no rosto
Pálido, entro em êxtase e paro;
Paro minha alma, meu corpo
Continua...

E caminho aonde quer que for,
Sentindo frio e calor,
Na alma...
 
 
(Leo'Brasil)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Corvo.

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
       É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
       Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
       É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
       Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
       Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
       "É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
       Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
       Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
       Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
       Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
       Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais, 
       Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
       Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
       Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
       Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
       Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
       Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
     Libertar-se-á... nunca mais!



Autor: Edgar Allan Poe.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mulher cem faces.

Conto-te uma mulher que pode ser muitas,
Mas é apenas uma, se quer saber.
Ela não pode ser definida, nem dividida;
A teia de sua alma não pode ser desfiada,
Nem decodificada.

Conto-te uma mulher cujo espírito tem
Duas faces, sendo, porém,
A mesma alma; um espírito fragmentado,
Cheio de erros, que se colide com o certo
Da alma. É um modo estranho de reinventar,
Mas é a forma dela própria de mudar.

Conto-te uma mulher que nasce constante
De seu próprio Eu. A história muda sempre
Que o Eu [dela] quer se apresentar forte;
Quando as mazelas de seu espírito abusam,
O Eu [dela] nasce, para reinventá-lo.

Conto-te uma mulher que se reinventa
Todo e cada dia, numa fragmentação
Sem lógica e irregular;
Seu [o dela] personagem difere em cada dia,
Muda seus desejos constantemente.
E não é nada enquanto não é tudo.

(Leo'Brasil)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Gritar.

Eu desejo tudo, e nada tenho
Almejo tudo, e nada tenho.
Alguma coisa sempre me separa
Do que quero, sempre.

Minha sorte é minha força,
Poder derrubar barreiras.
Mas nem todas são fáceis;
São de concreto puro.

E quando meu orgulho sai ferido
Recolho-me temporariamente.
É bom assim, ver se vale
Realmente a pena.

E quando o desejo não é nada
Em frente ao amor, me perco mais,
Desejo, porém, muito mais.
Se gritar, ainda será baixo.

O que sinto é forte demais.
Contradiz minha razão,
Contradiz meus conceitos,
Contradiz-me ainda mais.

O que sinto é mais, muito mais.
Pesa e alivia a dor, é a dor do peso
Que dói ainda mais; dói segurar o amor.
Amar, e não amar o outro.

Ao mesmo tempo, amar é curar.
Mas se não posso amar alguém,
Acumula-se em mim e me consome.
Consome-me não poder despejar
Meu amor em ninguém.

Quando paredes separam duas almas,
Apenas o que pode derrubá-las é o amor
E a coragem de arremessá-lo.

Apenas o que se pode fazer
É gritar e tornar isto real.


Autor: Leonardo Brasil de Matos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Mensagem (livro) - Nota preliminar.

"O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.

A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.

A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.

A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.

A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.

A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo."

Autor: Fernando Pessoa

terça-feira, 6 de julho de 2010

Às vezes, sempre você.

Às vezes, quero te beijar,
Às vezes, não te quero.
Às vezes, quero alvoroço,
A ponto de quebrar.
Mas, sempre, quero ser
Apenas tua razão.





Em "resposta" ao post: Me confundo, te confundo;
http://decifra-me-ou-devoro-te.blogspot.com/
(Otimo)

sábado, 26 de junho de 2010

À noite.

O silêncio é teu gémeo no Infinito.
Quem te conhece, sabe não buscar.
Morte visível, vens dessedentar
O vago mundo, o mundo estreito e aflito.

Se os teus abismos constelados fito,
Não sei quem sou ou qual o fim a dar
A tanta dor, a tanta ânsia par
Do sonho, e a tanto incerto em que medito.

Que vislumbre escondido de melhores
Dias ou horas no teu campo cabe?
Véu nupcial do fim de fins e dores.

Nem sei a angústia que vens consolar-me.
Deixa que eu durma, deixa que eu acabe
E que a luz nunca venha despertar-me!

(Fernando Pessoa)

sábado, 19 de junho de 2010

Carta a Uma Amiga.

Minha amiga, entendo a dificuldade que passas, mas tenha fé, tudo vai acabar bem. Escrevo-lhe esta carta para contar de meus dias, talvez a ajude esquecer um pouco de sua angustia. Isto aconteceu semana passada:

Depois de toda rotina cumprida da manhã, meu rumo agora é minha casa. Vou à parada de ônibus. Neste dia, despreocupei-me do relógio – às vezes é bom se libertar dele – e cheguei sete minutos atrasado no ponto de ônibus, o suficiente para perder o primeiro. Enfim, após esperar quase uma hora, o transporte chega e me aconchego a frente do veiculo – prefiro assim, para não ser esquecido no fundo.

Após duas ou mais paradas, vejo uma onda de pessoas entrarem no ônibus. Incrivelmente, porém, só notei uma: ela era linda, seus olhos pareciam pedras negras, seu corpo era pequeno, a cor da sua pele era tão branca que todas as sete luzes refletiam aos meus olhos, como me prendendo nela. Passei toda a viagem a olhando. Minto, desviava o olhar, às vezes.

Receio tê-la assustado - observava-a demais. Como poderia, porém, não fazê-lo? Estava encantado. Mal a conhecia, sim, mas queria tê-la para o resto da vida.

Eu desço antes de poder chegar perto dela, de tragar seu perfume. Isso me deixou com ansiedade de vê-la novamente, agora para me aproximar. Porém, vi-a apenas uma vez mais. Rezo o dia que poderei me atrasar de novo, para encontrá-la.

É isso minha amiga, continue me correspondendo, gosto muito de suas cartas e de escrever-lhe.


[Reconhecido em: Recanto das Letras]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Amo-Te

Adoro seus olhos,
Seu nariz,
Sua boca,
Suas orelhas
Furadas.

- Estou me apaixonando por você.

Adoro sua testa,
Sua bochecha,
Seu queixo
Seus cabelos
Pretos.

- Estou me apaixonando por você.

Adoro sua barriga,
Suas mãos,
Braços e pernas.
Seus pés
Pintados.

- Estou me apaixonando por você.

Adoro seus dedos
Seus dentes,
Sua língua.

- Estou me apaixonando por você.

.Adoro seu pescoço,
Seus joelhos,
Seus tornozelos,
Suas costas
Tatuadas

- Estou apaixonado por você.

Adoro seu corpo
Pequeno,
Sua alma
Cicatrizada.
- Eu te amo.

[quero beijar tudo que adoro em você].

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Amor no Papel; ou: Cartas.

Aquelas palavras queimam dentro.
Não são apenas as palavras, mas o que significam
- significavam.

Cada acento agudo, crase, e pingo do “i”,
Mostravam a mim outra pessoa
- não a mim.

Cada traço, travessão, e rasura
Rabiscava outro rosto, outro amor
- não eu.

*

Corte de papel oficio,
A tinta fura o coração.
Escreve cicatrizes,
Palavras que não são.

Decifra um beijo,
E imagina a morte.
Papel na garganta
Engana, e engole.

Toque de um amigo
Que quer mais.
Porem, apenas tem
Um beijo no papel
- nada mais.

Reconhecido em:
Recanto das Letras

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A Metamorfose ou Os Insetos Interiores ou O Processo.

Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos;
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.

Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa:
A família.

São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se

A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro... Caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.


(Fernando Anitelli)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Lei de Direito Autoral em Debate.


Criada em 1998 para substituir a anterior, de 1973, a atual lei de direito autoral (no 9610 / 1998) vigente no Brasil é considerada uma das mais rígidas do mundo por seu número restrito de exceções e limitações, dificultando o acesso ao conhecimento e à cultura. Num estudo comparativo entre 34 países que investiga em que medida as leis de direito autoral garantem o acesso ao conhecimento, o Brasil ficou com o 7o pior lugar.


A lei de direitos autorais não sofreu qualquer revisão ou adaptação que contemplasse as novas possibilidades surgidas com as inovações tecnológicas e com o uso cada vez mais expandido e cotidiano da Internet.

Em nenhuma situação é permitido fazer cópia integral de uma obra sem autorização prévia e expressa do detentor de direitos autorais. A lei não permite passar as músicas de um CD para o computador ou para o tocador de MP3, nem tirar cópias de livros esgotados no mercado para fins educacionais, por exemplo. Instituições de preservação do patrimônio cultural como bibliotecas e cinematecas não podem também tirar cópias para preservar obras que estão deteriorando. Filmes e músicas também não podem ser exibidos nas salas de aula sem a autorização do detentor dos direitos para fins pedagógicos.

Escolas e universidades, assim como organizações não-governamentais que trabalham com atividades educacionais, estão submetidas a esses limites. Em boa parte dos países que possuem uma lei de direitos autorais mais atualizada estão previstas exceções amplas para fins educativos.

Além disso, a lei atinge indiretamente pessoas com necessidades especiais: há grande dificuldade que elas consigam de editoras (quase sempre as detentoras dos direitos autorais de escritores) versões digitais de livros para gerar versões em braile, por exemplo.

Os impactos causados pela lei não acabam aqui. Muitos livros didáticos, em sua elaboração, não conseguem citar certos autores porque os detentores dos direitos cobram valores muito acima do mercado ou não permitem que citem trechos das obras. Assim, os detentores dos direitos, através da lei, criam uma barreira entre [nós] os jovens e a cultura brasileira, além das ciências e tecnologias.

A lei permite: “Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais: II – a reprodução, em um só exemplar, de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este sem o intuito de lucro”. Embora muitos estudantes pensem que podem copiar um trecho de um livro, como um capitulo, já que a lei não especifica o que é um pequeno trecho, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), entende que não se pode copiar nenhum “trecho essencial” (definição vaga e extremamente subjetiva, que poderia se referir até mesmo a uma página) e que essa cópia não pode ser solicitada a uma fotocopiadora.

Há decisões judiciais entendendo a questão das duas maneiras: uma incerteza jurídica extremamente prejudicial, que decorre da própria falta de clareza da lei. A Universidade de São Paulo e outras grandes instituições de ensino defendem a possibilidade da cópia de trechos do tamanho de um capítulo de livro ou 10% da obra, além de outros casos, como o de obras importadas não disponíveis no mercado nacional e de obras esgotadas.



O CONHECIMENTO E AS NOVAS TECNOLOGIAS – ACESSO E FINACIAMENTO PUBLICO DE BENS CULTURAIS:

“Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã, e nós trocamos as maçãs, então você e eu ainda teremos uma maçã. Mas se você tem uma ideia e eu tenho uma ideia, e nós trocamos essas ideias, então cada um de
nós terá duas ideias”

(George Bernard Shaw)

Copiar é roubar? As campanhas de combate à pirataria sugerem que sim. Mas pense no seguinte: se alguém rouba um livro numa biblioteca, a biblioteca fica sem aquele livro, o que diminui o acesso àquele conhecimento. Porém, se em vez de roubar, a pessoa copiar o livro, a biblioteca continua com aquele exemplar, e a pessoa que copiou passa a ter o conteúdo também para si. Ao copiar, a pessoa está ampliando o acesso ao conhecimento e não está privando quem detém o original. Por isso, boa parte da comunidade universitária defende a cópia de livros. Além disso, a aquisição de livros obrigatórios de um ano compromete toda a renda familiar mensal de mais da metade dos estudantes.

A maior parte desse conhecimento é produzido com recursos públicos. Professores de universidades pública, que são autores de artigos/livros técnicos e científicos, tem seus salários pagos pelos cidadãos por meio de impostos alem de verbas para pesquisas pagas por instituições públicas como CNPq, FAPESP e FAPERJ, no contexto nacional, e FUNCAP, no universo regional cearense. Alem disso, a produção editorial recebe imunidade tributaria, ou seja, não pagam impostos como PIS/COFINS, IPI, e ICMS. O que deixa de ser arrecadado pode somar um bilhão de reais por ano.



DIREITOS AUTORAIS VS. O MONOPOLIO DOS INTERMEDIARIOS:

Não há dúvida de que autores, compositores e artistas devam ser reconhecidos e remunerados por seu trabalho. Mas a atual lei de direitos autorais não favorece nem o autor, que precisa ser remunerado, nem o público, que precisa de acesso ao conhecimento. Ela protege um modelo de negócios centrado no lucro dos intermediários. São eles que detém a permissão de utilizarem como quiserem, por tempo indeterminado, e para reproduzir os trabalhos dos autores.

Um estudo recente da Universidade de São Paulo mostra que a relação entre o lucro estimado das editoras e o direito autoral estimado pago aos autores é completamente desproporcional: de cada três reais que se ganha com a venda de livros, dois reais ficam como lucro da editora e apenas um real vai para os autores na forma de direitos autorais.



CONCLUSAO:

A lei de direito autoral esta indo ao caminho oposto ao que foi destinado: Os direitos autorais têm a função de resguardar os interesses morais e patrimoniais dos criadores de obras artísticas e intelectuais. No entanto, possuem também uma outra natureza, ligada aos direitos fundamentais, tanto de liberdade de expressão dos indivíduos (de produzir e disseminar suas opiniões) como de acesso à cultura e ao conhecimento. O direito autoral existe para estimular a produção de obras intelectuais, para que toda a sociedade possa a elas ter acesso.

“(...) é necessário harmonizar os interesses público e privado no acesso à cultura. Para isso, é necessário reequilibrar a tutela do direito individual de exploração da obra intelectual (cujo detentor frequentemente não é o próprio autor da obra) com a tutela do direito coletivo de acesso à cultura, direito este tão fundamental quanto o direito autoral e cuja p revisão encontra-se igualmente no corpo de nossa Constituição Federal. A criação é um fruto que tem origem no patrimônio cultural coletivo da sociedade e nesse sentido, sua fruição não pode ser restringida de forma desarrazoada” (Trecho da Carta de São Paulo pelo Acesso a Bens Culturais).

Depois de toda essa bomba de informações repulsivas não é razoável exigir do setor editorial uma maior liberdade na limitação dos direitos autorais para usos educacionais? Não é justo a exigência de uma adaptação na lei de direito autoral?



[Retirado do Caderno Direito Autoral em Debate,
e adaptado por Leo'Brasil.]

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Vento.

Eu levantei cedo num feriado vazio.
Saí ainda cedo por nada ter que eu quisesse fazer.
Não sabia aonde ir...

O vento batia forte e me levava a um caminho;
Soprava nas costas como se desse um sopapo de:
“Vá em frente!”.

Assim tem sido sempre em minha vida;
O vento me leva aonde quer... Sem pensar.
Mas pensei, e não fui a esse tal lugar.

Hoje foi diferente e não te quis ver passar
Na janela do quarto e ir lá me amparar
Hoje, o vento não me levou sem pensar.
- Pensei demais...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Como é por dentro outra pessoa.


Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

(Fernando Pessoa)

Natureza humana.

"Não me recordo muito bem, mas um grande escritor/pensador/estudioso disse uma vez algo assim: 'o homem tem grande tendência para o mal'. E, sem dúvidas, é a pura verdade. Deus fez o ser humano com desvios. Obviamente, a natureza é perfeita e isso pode ser positivo. Como seria a vida sem as dificuldades e maldades humanas ? Sem graça e sem motivo. O problema é a quantidade de pessoas que se levam por esse seu lado demoníaco. O homem é egocêntrico, e sempre será; esse fato envolve personalidade, educação, alienação e discernimento, está ai a tremenda dificuldade de ''segurar'' o demonio que mora em nós; é questão interna e de alma."





Créditos: Giulianne Batista
Recomendo seu blog:
[http://decifra-me-ou-devoro-te.blogspot.com/]

domingo, 6 de junho de 2010

Adivinhem quem vem para roubar.

"E os caras-pintadas, meu Deus, vão ficar com as caras no chão! Aprenderão na carne aquilo que sempre ouviram dizer: o Brasil, meus filhos, é um país sem memória. Tanto que, até hoje, ainda não percebeu que este horror onde estamos atolados não passa de saldo legado por ele. A impunidade para ele e seus capangas nos deixou uma inversão moral nojenta: se você é honesto, você é trouxa."
(Caio Fernando Abreu)


The Big Bang Theory - Smart is the new sexy


Lançado em 2007, o sitcom norte-americano, The Big Bang Theory, criado por Chuck Lorres e Bill Prady, já é grande sucesso na comunidade nerd americana e, em agosto do ano passado, ganhou o premio TCA (Associação dos críticos de televisão) de “best comedy series”.

A série é produzida pela Warner Bros Television em conjunto com a Chuck Lorres Production. Ja foram lançadas a primeira, segunda, e muito recentemente, a terceira temporadas de The Big Bang Theory [TBBT].

SINOPSE:

TBBT é sobre dois colegas prodígios da área de física que dividem um apartamento: Leonard Hofstadter e Sheldon Cooper. Eles recebem frequentemente a visita de seus amigos e colegas de trabalho na Universidade, Rajesh (Raj) e Howard. Eles ocupam seus tempos com “divertimento nerd”: palavras cruzadas em Klingon, maratona de series de ficção cientifica e jogos de RPG (Halo) nas sagradas noites de quarta.

Logo no inicio, no episodio Pilot, Leonard e Sheldon encontram-se com a nova vizinha do prédio, Penny, uma linda e social mulher que desperta a atenção de Leonard a primeira vista. Eles a convidam para um almoço em sua casa, mas Sheldon constrange seu colega com suas manias loucas.Porem, Penny começa a se acostumar com o estranho ambiente dos nerds.

SOBRE OS PERSONAGENS:

Leonard Hofstadter: interpretado por Jonny Galecki e é um físico experimental da CALTECH. Intolerante a lactose e, por isso, alvo de piadas. Não é muito experiente em relacionamentos e é apaixonado por Penny, e por vezes, tenta encobrir sua “nerdice”.

Sheldon Cooper: Interpretado por Jim Parsons, Sheldon é um gênio desde criança. Já aos quatorze anos, conclui sua graduação, possui mestrado e dois PhD’s. Possui um minúsculo circulo social sem contar os amigos no myspace. Como físico teórico, se dedica a Teoria das Cordas

Penny: Interpretada por Kaley Cuoco. Linda mulher vinda de Omaha, Nebraska, para se tornar atriz em LA, mas acaba trabalhando como garçonete num restaurante. É extremamente desorganizada; é sociável; e, no inicio, vive lançando indiretas para Leonard.

Rajesh: interpretado por Kunal Nayyar, Raje h um astrofísico indiano. Timido ao extremo, Raj é totalmente incapaz de falar com mulheres, a não ser sob efeitos químicos.

Howard: interpretado por Simon Helberg, Howard trabalha no departamento de fisica aplicada da CALTECH, onde é engenheiro e projeta equipamentos para a NASA. Poliglota, lança cantadas em várias línguas (inclusive Kinglon). Tem grande auto-estima e só o desprezo alheio por seu mestrado em Engenharia fere seu ego, sendo que seus colegas têm PhD.



sábado, 5 de junho de 2010

Incontestável Solidão

Que incontestável solidão.
Aquela quando os seres se procuram,
Mas não se encontram.

Sutilmente, o silêncio se transforma em grito.
Com tom mudo e cortante.
Agora, só vejo o sofrimento; crescendo e crescendo.
E escavando o íntimo do ser. Agora, vejo o vazio.

Vejo o vazio e o sofrimento.
Numa cumplicidade sufocante.
Agora, vejo o sufoco e o oco; “Sofrido” oco.
A desgraçada da solidão se esconde.
Entre o sufoco, o sofrimento e o oco.
Quero matá-la, agora!

Mas agora, não vejo mais nada.

Apenas sinto: Solidão, sufoco, sofrimento e oco.
E escuto: o eco da procura;
“Onde estão aqueles que têm minha felicidade?”
Não obtendo resposta, logo a busca se parte. Parte-me.

A solidão, então, engole meu tempo.
E como se não bastasse, engole minhas noites.
Então, aparece a morbidez.

Se restassem apenas três dias em minha vida,
Morreria infeliz.
Pois, meus “três dias de graça” não coexistem com a solidão.
Perco-me, então, no esquecimento...
E na caracterização... [da própria solidão]

O Menino-Varrido.

“Notas de um observador:
O sol não estava lá.
Havia algo fora do lugar no amanhecer do pequeno vilarejo.
A menina de trança foi até a janela ver o que sucedia.
O velho de bengala consultou o serviço metrológico no radio amador.
A senhora de chapéu azul turquesa abriu o jornal em busca do horóscopo,
Enquanto sua filha namoradeira desenhava uma interrogação em cada olhar.

O menino-varrido nem deu conta do que se passava.
Mas ele também nunca expressava a menor reação diante dos problemas coletivos.
Era metido a cientista, o menino,
E toda a gente comentava das experiências químicas e místicas que ele praticava.
Era meio altista, meio bruxo, meio mago.
Dedicava seus dias a botar truques de mágica que nunca davam certo.
Mantinha-se recluso em seu mundo de experimentações.
E não lhe sobrava tempo para manifestações
Como aquela que acontecia lá fora naquele momento.

O fato é que toda a comunidade saiu em protesto.
O bafafá tomou corpo quando finalmente olharam pro céu
E deram por falta dos raios solares que, até então,
Nunca haviam se ausentado do rotineiro amanhecer local.
O astro rei não estava lá, tinha tomado um chá de sumiço.
E cada boca sussurrava: “onde estará? Onde estará?”.

Foi quando o menino-varrido saiu gritando a toda a gente.
Ele estava radiante, pois havia realizado sua primeira mágica bem sucedida.
As palavras atropeladas brotavam de sua garganta como buquês de felicidade.
E nessa hora todos olharam pra dentro dele: O sol estava lá.”


Autor(a): Maíra Viana.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

I Want You

Quando te penso, um raio de luz entra
No canteiro da porta e ilumina o meu ser.
Pratico todas as coisas que quero te dizer.
Mas quando te vejo, me erro; não sei o que fazer,
Tremo.
............................................................................

Às vezes, apenas uma mãozinha é o que falta.
Às vezes, só respirar teu mesmo ar me faz bem.
Às vezes, apenas teu suor pode adoçar meu dia.
Mas quando penso se isso pode ser verdade,
Erro-me, e tremo.
............................................................................

Se pudesse ler minha mente, seria fácil
Perceber que eu te quero.
Diga que esta de braços abertos,
E eu direi também.
............................................................................

Não consigo mentir, eu te quero.
Complete-me, liberte-me, maltrate-me;
Não consegue perceber?
Eu necessito disto!
Abra a porta, me deixe entrar!
- quero te amar.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

91 Anos de CMF!



Os olhos da cidade estavam lá, além dos mil olhos atentos.
Estrelas de luzes "não-próprias" brilhavam ao redor.
Sete cores encontravam-se no branco dos uniformes!

Prédios como espectadores, carros como lanternas
E o escuro do céu para aumentar o brilho!
E o astro-mestre da noite, dessa vez, foi aquele prédio
De noventa e um anos que, com um brilho a mais,
Observava seus caçulas e primogênitos.

A casa de Eudoro Corrêa choraria se tivesse olhos de verdade.
O dia de noventa e um anos de história,
Ou deveria dizer: o dia “nove mais um”.
Ficará para a história, literalmente.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ora, por que...

Para onde iria à noite senão para teus braços e carinhos?
Por quê? Porque me sinto vivo ao teu lado.
E ainda me perguntas por que eu te amo?

Ora, por que...

Eu te amo por que te amo.
Amaria-te mesmo que não me amasse.
Porque eu te amo.
- Porque o amor é incondicional -
O amor é forte por si mesmo.

Neste instante,
Não vejo sentido em caracterizar o amor.
Só vejo sentido em amar.
Então, eu amo. Amo todas as coisas
E tudo o que é.
- E tudo o que há de ser... Você.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Metamorfosia


Eu penso, eu pulso, eu passo.
Em cada instante me perco,
Em cada momento me acho.
A cada sopro das narinas, sou
Metamorfoseado em mim mesmo.
A cada gota de chuva, sou
Brotado de mim mesmo.
Não há dia em que não sou
Cada vez mais Eu.

Somos a vida daquilo que
Morreu.
Somos nascidos de nós mesmos
A cada instante e, por isso,
Sopro de vida.
Morremos a cada dia.
Não há noite que não seja funeral
E manhã que não seja parto.
Sou parido de mim toda manhã.

Penso tanta coisa, sonho tanta coisa.
Passo e não sou nada.
Não hei de ser nada.
Mas sou tudo em meus pensamentos.
Pensamentos tão leves que voam
Para uma atmosfera inacessível,
E, às vezes, tão pesados que se escondem
Debaixo de pedras de asfaltos,
Igualmente inalcançáveis.

O que veio de dentro da cabeça
Falhei em tudo. Tudo que queria ser...
Não sou. Sonho todos os dias...
E nada sou. Sou apenas
metamorfoseado em meus sonhos.
Me alimento deles, e com eles vivo.
Mais nada

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Re-re-inicio do blog

Re-re-inauguração do blog... Agora com um novo nome. Ele sintetiza tudo o que vou fazer aqui: anular a idéia de “Criado-Mudo”, ou seja, de que temos de viver calados aos erros humanos [do próprio cotidiano] que envolvem toda a sociedade. É um NÃO a alienação. Enfim, é uma forma de expressão. VIVA A SOCIEDADE ALTERNATIVA!



[Novas postagens no decorrer do tempo]
(: