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sábado, 5 de junho de 2010

Incontestável Solidão

Que incontestável solidão.
Aquela quando os seres se procuram,
Mas não se encontram.

Sutilmente, o silêncio se transforma em grito.
Com tom mudo e cortante.
Agora, só vejo o sofrimento; crescendo e crescendo.
E escavando o íntimo do ser. Agora, vejo o vazio.

Vejo o vazio e o sofrimento.
Numa cumplicidade sufocante.
Agora, vejo o sufoco e o oco; “Sofrido” oco.
A desgraçada da solidão se esconde.
Entre o sufoco, o sofrimento e o oco.
Quero matá-la, agora!

Mas agora, não vejo mais nada.

Apenas sinto: Solidão, sufoco, sofrimento e oco.
E escuto: o eco da procura;
“Onde estão aqueles que têm minha felicidade?”
Não obtendo resposta, logo a busca se parte. Parte-me.

A solidão, então, engole meu tempo.
E como se não bastasse, engole minhas noites.
Então, aparece a morbidez.

Se restassem apenas três dias em minha vida,
Morreria infeliz.
Pois, meus “três dias de graça” não coexistem com a solidão.
Perco-me, então, no esquecimento...
E na caracterização... [da própria solidão]

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