Eu desejo tudo, e nada tenho
Almejo tudo, e nada tenho.
Alguma coisa sempre me separa
Do que quero, sempre.
Minha sorte é minha força,
Poder derrubar barreiras.
Mas nem todas são fáceis;
São de concreto puro.
E quando meu orgulho sai ferido
Recolho-me temporariamente.
É bom assim, ver se vale
Realmente a pena.
E quando o desejo não é nada
Em frente ao amor, me perco mais,
Desejo, porém, muito mais.
Se gritar, ainda será baixo.
O que sinto é forte demais.
Contradiz minha razão,
Contradiz meus conceitos,
Contradiz-me ainda mais.
O que sinto é mais, muito mais.
Pesa e alivia a dor, é a dor do peso
Que dói ainda mais; dói segurar o amor.
Amar, e não amar o outro.
Ao mesmo tempo, amar é curar.
Mas se não posso amar alguém,
Acumula-se em mim e me consome.
Consome-me não poder despejar
Meu amor em ninguém.
Quando paredes separam duas almas,
Apenas o que pode derrubá-las é o amor
E a coragem de arremessá-lo.
Apenas o que se pode fazer
É gritar e tornar isto real.
Autor: Leonardo Brasil de Matos.
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