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sábado, 19 de junho de 2010

Carta a Uma Amiga.

Minha amiga, entendo a dificuldade que passas, mas tenha fé, tudo vai acabar bem. Escrevo-lhe esta carta para contar de meus dias, talvez a ajude esquecer um pouco de sua angustia. Isto aconteceu semana passada:

Depois de toda rotina cumprida da manhã, meu rumo agora é minha casa. Vou à parada de ônibus. Neste dia, despreocupei-me do relógio – às vezes é bom se libertar dele – e cheguei sete minutos atrasado no ponto de ônibus, o suficiente para perder o primeiro. Enfim, após esperar quase uma hora, o transporte chega e me aconchego a frente do veiculo – prefiro assim, para não ser esquecido no fundo.

Após duas ou mais paradas, vejo uma onda de pessoas entrarem no ônibus. Incrivelmente, porém, só notei uma: ela era linda, seus olhos pareciam pedras negras, seu corpo era pequeno, a cor da sua pele era tão branca que todas as sete luzes refletiam aos meus olhos, como me prendendo nela. Passei toda a viagem a olhando. Minto, desviava o olhar, às vezes.

Receio tê-la assustado - observava-a demais. Como poderia, porém, não fazê-lo? Estava encantado. Mal a conhecia, sim, mas queria tê-la para o resto da vida.

Eu desço antes de poder chegar perto dela, de tragar seu perfume. Isso me deixou com ansiedade de vê-la novamente, agora para me aproximar. Porém, vi-a apenas uma vez mais. Rezo o dia que poderei me atrasar de novo, para encontrá-la.

É isso minha amiga, continue me correspondendo, gosto muito de suas cartas e de escrever-lhe.


[Reconhecido em: Recanto das Letras]

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