O silêncio é teu gémeo no Infinito.
Quem te conhece, sabe não buscar.
Morte visível, vens dessedentar
O vago mundo, o mundo estreito e aflito.
Se os teus abismos constelados fito,
Não sei quem sou ou qual o fim a dar
A tanta dor, a tanta ânsia par
Do sonho, e a tanto incerto em que medito.
Que vislumbre escondido de melhores
Dias ou horas no teu campo cabe?
Véu nupcial do fim de fins e dores.
Nem sei a angústia que vens consolar-me.
Deixa que eu durma, deixa que eu acabe
E que a luz nunca venha despertar-me!
(Fernando Pessoa)
Bem-vindos ao Criado-Mudo!
sábado, 26 de junho de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
Carta a Uma Amiga.
Minha amiga, entendo a dificuldade que passas, mas tenha fé, tudo vai acabar bem. Escrevo-lhe esta carta para contar de meus dias, talvez a ajude esquecer um pouco de sua angustia. Isto aconteceu semana passada:
Depois de toda rotina cumprida da manhã, meu rumo agora é minha casa. Vou à parada de ônibus. Neste dia, despreocupei-me do relógio – às vezes é bom se libertar dele – e cheguei sete minutos atrasado no ponto de ônibus, o suficiente para perder o primeiro. Enfim, após esperar quase uma hora, o transporte chega e me aconchego a frente do veiculo – prefiro assim, para não ser esquecido no fundo.
Após duas ou mais paradas, vejo uma onda de pessoas entrarem no ônibus. Incrivelmente, porém, só notei uma: ela era linda, seus olhos pareciam pedras negras, seu corpo era pequeno, a cor da sua pele era tão branca que todas as sete luzes refletiam aos meus olhos, como me prendendo nela. Passei toda a viagem a olhando. Minto, desviava o olhar, às vezes.
Receio tê-la assustado - observava-a demais. Como poderia, porém, não fazê-lo? Estava encantado. Mal a conhecia, sim, mas queria tê-la para o resto da vida.
Eu desço antes de poder chegar perto dela, de tragar seu perfume. Isso me deixou com ansiedade de vê-la novamente, agora para me aproximar. Porém, vi-a apenas uma vez mais. Rezo o dia que poderei me atrasar de novo, para encontrá-la.
É isso minha amiga, continue me correspondendo, gosto muito de suas cartas e de escrever-lhe.
[Reconhecido em: Recanto das Letras]
Depois de toda rotina cumprida da manhã, meu rumo agora é minha casa. Vou à parada de ônibus. Neste dia, despreocupei-me do relógio – às vezes é bom se libertar dele – e cheguei sete minutos atrasado no ponto de ônibus, o suficiente para perder o primeiro. Enfim, após esperar quase uma hora, o transporte chega e me aconchego a frente do veiculo – prefiro assim, para não ser esquecido no fundo.
Após duas ou mais paradas, vejo uma onda de pessoas entrarem no ônibus. Incrivelmente, porém, só notei uma: ela era linda, seus olhos pareciam pedras negras, seu corpo era pequeno, a cor da sua pele era tão branca que todas as sete luzes refletiam aos meus olhos, como me prendendo nela. Passei toda a viagem a olhando. Minto, desviava o olhar, às vezes.
Receio tê-la assustado - observava-a demais. Como poderia, porém, não fazê-lo? Estava encantado. Mal a conhecia, sim, mas queria tê-la para o resto da vida.
Eu desço antes de poder chegar perto dela, de tragar seu perfume. Isso me deixou com ansiedade de vê-la novamente, agora para me aproximar. Porém, vi-a apenas uma vez mais. Rezo o dia que poderei me atrasar de novo, para encontrá-la.
É isso minha amiga, continue me correspondendo, gosto muito de suas cartas e de escrever-lhe.
[Reconhecido em: Recanto das Letras]
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Amo-Te
Adoro seus olhos,
Seu nariz,
Sua boca,
Suas orelhas
Furadas.
- Estou me apaixonando por você.
Adoro sua testa,
Sua bochecha,
Seu queixo
Seus cabelos
Pretos.
- Estou me apaixonando por você.
Adoro sua barriga,
Suas mãos,
Braços e pernas.
Seus pés
Pintados.
- Estou me apaixonando por você.
Adoro seus dedos
Seus dentes,
Sua língua.
- Estou me apaixonando por você.
.Adoro seu pescoço,
Seus joelhos,
Seus tornozelos,
Suas costas
Tatuadas
- Estou apaixonado por você.
Adoro seu corpo
Pequeno,
Sua alma
Cicatrizada.
- Eu te amo.
[quero beijar tudo que adoro em você].
Seu nariz,
Sua boca,
Suas orelhas
Furadas.
- Estou me apaixonando por você.
Adoro sua testa,
Sua bochecha,
Seu queixo
Seus cabelos
Pretos.
- Estou me apaixonando por você.
Adoro sua barriga,
Suas mãos,
Braços e pernas.
Seus pés
Pintados.
- Estou me apaixonando por você.
Adoro seus dedos
Seus dentes,
Sua língua.
- Estou me apaixonando por você.
.Adoro seu pescoço,
Seus joelhos,
Seus tornozelos,
Suas costas
Tatuadas
- Estou apaixonado por você.
Adoro seu corpo
Pequeno,
Sua alma
Cicatrizada.
- Eu te amo.
[quero beijar tudo que adoro em você].
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Amor no Papel; ou: Cartas.
Aquelas palavras queimam dentro.
Não são apenas as palavras, mas o que significam
- significavam.
Cada acento agudo, crase, e pingo do “i”,
Mostravam a mim outra pessoa
- não a mim.
Cada traço, travessão, e rasura
Rabiscava outro rosto, outro amor
- não eu.
*
Corte de papel oficio,
A tinta fura o coração.
Escreve cicatrizes,
Palavras que não são.
Decifra um beijo,
E imagina a morte.
Papel na garganta
Engana, e engole.
Toque de um amigo
Que quer mais.
Porem, apenas tem
Um beijo no papel
- nada mais.
Reconhecido em:
Recanto das Letras
Não são apenas as palavras, mas o que significam
- significavam.
Cada acento agudo, crase, e pingo do “i”,
Mostravam a mim outra pessoa
- não a mim.
Cada traço, travessão, e rasura
Rabiscava outro rosto, outro amor
- não eu.
*
Corte de papel oficio,
A tinta fura o coração.
Escreve cicatrizes,
Palavras que não são.
Decifra um beijo,
E imagina a morte.
Papel na garganta
Engana, e engole.
Toque de um amigo
Que quer mais.
Porem, apenas tem
Um beijo no papel
- nada mais.
Reconhecido em:
Recanto das Letras
sexta-feira, 11 de junho de 2010
A Metamorfose ou Os Insetos Interiores ou O Processo.
Notas de um observador:
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos;
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa:
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro... Caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
(Fernando Anitelli)
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos;
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa:
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro... Caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
(Fernando Anitelli)
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Lei de Direito Autoral em Debate.
Criada em 1998 para substituir a anterior, de 1973, a atual lei de direito autoral (no 9610 / 1998) vigente no Brasil é considerada uma das mais rígidas do mundo por seu número restrito de exceções e limitações, dificultando o acesso ao conhecimento e à cultura. Num estudo comparativo entre 34 países que investiga em que medida as leis de direito autoral garantem o acesso ao conhecimento, o Brasil ficou com o 7o pior lugar.
A lei de direitos autorais não sofreu qualquer revisão ou adaptação que contemplasse as novas possibilidades surgidas com as inovações tecnológicas e com o uso cada vez mais expandido e cotidiano da Internet.
Em nenhuma situação é permitido fazer cópia integral de uma obra sem autorização prévia e expressa do detentor de direitos autorais. A lei não permite passar as músicas de um CD para o computador ou para o tocador de MP3, nem tirar cópias de livros esgotados no mercado para fins educacionais, por exemplo. Instituições de preservação do patrimônio cultural como bibliotecas e cinematecas não podem também tirar cópias para preservar obras que estão deteriorando. Filmes e músicas também não podem ser exibidos nas salas de aula sem a autorização do detentor dos direitos para fins pedagógicos.
Escolas e universidades, assim como organizações não-governamentais que trabalham com atividades educacionais, estão submetidas a esses limites. Em boa parte dos países que possuem uma lei de direitos autorais mais atualizada estão previstas exceções amplas para fins educativos.
Além disso, a lei atinge indiretamente pessoas com necessidades especiais: há grande dificuldade que elas consigam de editoras (quase sempre as detentoras dos direitos autorais de escritores) versões digitais de livros para gerar versões em braile, por exemplo.
Os impactos causados pela lei não acabam aqui. Muitos livros didáticos, em sua elaboração, não conseguem citar certos autores porque os detentores dos direitos cobram valores muito acima do mercado ou não permitem que citem trechos das obras. Assim, os detentores dos direitos, através da lei, criam uma barreira entre [nós] os jovens e a cultura brasileira, além das ciências e tecnologias.
A lei permite: “Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais: II – a reprodução, em um só exemplar, de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este sem o intuito de lucro”. Embora muitos estudantes pensem que podem copiar um trecho de um livro, como um capitulo, já que a lei não especifica o que é um pequeno trecho, a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), entende que não se pode copiar nenhum “trecho essencial” (definição vaga e extremamente subjetiva, que poderia se referir até mesmo a uma página) e que essa cópia não pode ser solicitada a uma fotocopiadora.
Há decisões judiciais entendendo a questão das duas maneiras: uma incerteza jurídica extremamente prejudicial, que decorre da própria falta de clareza da lei. A Universidade de São Paulo e outras grandes instituições de ensino defendem a possibilidade da cópia de trechos do tamanho de um capítulo de livro ou 10% da obra, além de outros casos, como o de obras importadas não disponíveis no mercado nacional e de obras esgotadas.
O CONHECIMENTO E AS NOVAS TECNOLOGIAS – ACESSO E FINACIAMENTO PUBLICO DE BENS CULTURAIS:
“Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã, e nós trocamos as maçãs, então você e eu ainda teremos uma maçã. Mas se você tem uma ideia e eu tenho uma ideia, e nós trocamos essas ideias, então cada um de
nós terá duas ideias”
(George Bernard Shaw)
Copiar é roubar? As campanhas de combate à pirataria sugerem que sim. Mas pense no seguinte: se alguém rouba um livro numa biblioteca, a biblioteca fica sem aquele livro, o que diminui o acesso àquele conhecimento. Porém, se em vez de roubar, a pessoa copiar o livro, a biblioteca continua com aquele exemplar, e a pessoa que copiou passa a ter o conteúdo também para si. Ao copiar, a pessoa está ampliando o acesso ao conhecimento e não está privando quem detém o original. Por isso, boa parte da comunidade universitária defende a cópia de livros. Além disso, a aquisição de livros obrigatórios de um ano compromete toda a renda familiar mensal de mais da metade dos estudantes.
A maior parte desse conhecimento é produzido com recursos públicos. Professores de universidades pública, que são autores de artigos/livros técnicos e científicos, tem seus salários pagos pelos cidadãos por meio de impostos alem de verbas para pesquisas pagas por instituições públicas como CNPq, FAPESP e FAPERJ, no contexto nacional, e FUNCAP, no universo regional cearense. Alem disso, a produção editorial recebe imunidade tributaria, ou seja, não pagam impostos como PIS/COFINS, IPI, e ICMS. O que deixa de ser arrecadado pode somar um bilhão de reais por ano.
DIREITOS AUTORAIS VS. O MONOPOLIO DOS INTERMEDIARIOS:
Não há dúvida de que autores, compositores e artistas devam ser reconhecidos e remunerados por seu trabalho. Mas a atual lei de direitos autorais não favorece nem o autor, que precisa ser remunerado, nem o público, que precisa de acesso ao conhecimento. Ela protege um modelo de negócios centrado no lucro dos intermediários. São eles que detém a permissão de utilizarem como quiserem, por tempo indeterminado, e para reproduzir os trabalhos dos autores.
Um estudo recente da Universidade de São Paulo mostra que a relação entre o lucro estimado das editoras e o direito autoral estimado pago aos autores é completamente desproporcional: de cada três reais que se ganha com a venda de livros, dois reais ficam como lucro da editora e apenas um real vai para os autores na forma de direitos autorais.
CONCLUSAO:
A lei de direito autoral esta indo ao caminho oposto ao que foi destinado: Os direitos autorais têm a função de resguardar os interesses morais e patrimoniais dos criadores de obras artísticas e intelectuais. No entanto, possuem também uma outra natureza, ligada aos direitos fundamentais, tanto de liberdade de expressão dos indivíduos (de produzir e disseminar suas opiniões) como de acesso à cultura e ao conhecimento. O direito autoral existe para estimular a produção de obras intelectuais, para que toda a sociedade possa a elas ter acesso.
“(...) é necessário harmonizar os interesses público e privado no acesso à cultura. Para isso, é necessário reequilibrar a tutela do direito individual de exploração da obra intelectual (cujo detentor frequentemente não é o próprio autor da obra) com a tutela do direito coletivo de acesso à cultura, direito este tão fundamental quanto o direito autoral e cuja p revisão encontra-se igualmente no corpo de nossa Constituição Federal. A criação é um fruto que tem origem no patrimônio cultural coletivo da sociedade e nesse sentido, sua fruição não pode ser restringida de forma desarrazoada” (Trecho da Carta de São Paulo pelo Acesso a Bens Culturais).
Depois de toda essa bomba de informações repulsivas não é razoável exigir do setor editorial uma maior liberdade na limitação dos direitos autorais para usos educacionais? Não é justo a exigência de uma adaptação na lei de direito autoral?
[Retirado do Caderno Direito Autoral em Debate,
e adaptado por Leo'Brasil.]
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Vento.
Eu levantei cedo num feriado vazio.
Saí ainda cedo por nada ter que eu quisesse fazer.
Não sabia aonde ir...
O vento batia forte e me levava a um caminho;
Soprava nas costas como se desse um sopapo de:
“Vá em frente!”.
Assim tem sido sempre em minha vida;
O vento me leva aonde quer... Sem pensar.
Mas pensei, e não fui a esse tal lugar.
Hoje foi diferente e não te quis ver passar
Na janela do quarto e ir lá me amparar
Hoje, o vento não me levou sem pensar.
- Pensei demais...
Saí ainda cedo por nada ter que eu quisesse fazer.
Não sabia aonde ir...
O vento batia forte e me levava a um caminho;
Soprava nas costas como se desse um sopapo de:
“Vá em frente!”.
Assim tem sido sempre em minha vida;
O vento me leva aonde quer... Sem pensar.
Mas pensei, e não fui a esse tal lugar.
Hoje foi diferente e não te quis ver passar
Na janela do quarto e ir lá me amparar
Hoje, o vento não me levou sem pensar.
- Pensei demais...
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Como é por dentro outra pessoa.
Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.
(Fernando Pessoa)
Natureza humana.
"Não me recordo muito bem, mas um grande escritor/pensador/estudioso disse uma vez algo assim: 'o homem tem grande tendência para o mal'. E, sem dúvidas, é a pura verdade. Deus fez o ser humano com desvios. Obviamente, a natureza é perfeita e isso pode ser positivo. Como seria a vida sem as dificuldades e maldades humanas ? Sem graça e sem motivo. O problema é a quantidade de pessoas que se levam por esse seu lado demoníaco. O homem é egocêntrico, e sempre será; esse fato envolve personalidade, educação, alienação e discernimento, está ai a tremenda dificuldade de ''segurar'' o demonio que mora em nós; é questão interna e de alma."
Créditos: Giulianne BatistaRecomendo seu blog:
[http://decifra-me-ou-devoro-te.blogspot.com/]
domingo, 6 de junho de 2010
Adivinhem quem vem para roubar.
"E os caras-pintadas, meu Deus, vão ficar com as caras no chão! Aprenderão na carne aquilo que sempre ouviram dizer: o Brasil, meus filhos, é um país sem memória. Tanto que, até hoje, ainda não percebeu que este horror onde estamos atolados não passa de saldo legado por ele. A impunidade para ele e seus capangas nos deixou uma inversão moral nojenta: se você é honesto, você é trouxa."
(Caio Fernando Abreu)
The Big Bang Theory - Smart is the new sexy
Lançado em 2007, o sitcom norte-americano, The Big Bang Theory, criado por Chuck Lorres e Bill Prady, já é grande sucesso na comunidade nerd americana e, em agosto do ano passado, ganhou o premio TCA (Associação dos críticos de televisão) de “best comedy series”.
A série é produzida pela Warner Bros Television em conjunto com a Chuck Lorres Production. Ja foram lançadas a primeira, segunda, e muito recentemente, a terceira temporadas de The Big Bang Theory [TBBT].
SINOPSE:
TBBT é sobre dois colegas prodígios da área de física que dividem um apartamento: Leonard Hofstadter e Sheldon Cooper. Eles recebem frequentemente a visita de seus amigos e colegas de trabalho na Universidade, Rajesh (Raj) e Howard. Eles ocupam seus tempos com “divertimento nerd”: palavras cruzadas em Klingon, maratona de series de ficção cientifica e jogos de RPG (Halo) nas sagradas noites de quarta.
Logo no inicio, no episodio Pilot, Leonard e Sheldon encontram-se com a nova vizinha do prédio, Penny, uma linda e social mulher que desperta a atenção de Leonard a primeira vista. Eles a convidam para um almoço em sua casa, mas Sheldon constrange seu colega com suas manias loucas.Porem, Penny começa a se acostumar com o estranho ambiente dos nerds.
SOBRE OS PERSONAGENS:
Leonard Hofstadter: interpretado por Jonny Galecki e é um físico experimental da CALTECH. Intolerante a lactose e, por isso, alvo de piadas. Não é muito experiente em relacionamentos e é apaixonado por Penny, e por vezes, tenta encobrir sua “nerdice”.
Sheldon Cooper: Interpretado por Jim Parsons, Sheldon é um gênio desde criança. Já aos quatorze anos, conclui sua graduação, possui mestrado e dois PhD’s. Possui um minúsculo circulo social sem contar os amigos no myspace. Como físico teórico, se dedica a Teoria das Cordas
Penny: Interpretada por Kaley Cuoco. Linda mulher vinda de Omaha, Nebraska, para se tornar atriz em LA, mas acaba trabalhando como garçonete num restaurante. É extremamente desorganizada; é sociável; e, no inicio, vive lançando indiretas para Leonard.
Rajesh: interpretado por Kunal Nayyar, Raje h um astrofísico indiano. Timido ao extremo, Raj é totalmente incapaz de falar com mulheres, a não ser sob efeitos químicos.
Howard: interpretado por Simon Helberg, Howard trabalha no departamento de fisica aplicada da CALTECH, onde é engenheiro e projeta equipamentos para a NASA. Poliglota, lança cantadas em várias línguas (inclusive Kinglon). Tem grande auto-estima e só o desprezo alheio por seu mestrado em Engenharia fere seu ego, sendo que seus colegas têm PhD.
sábado, 5 de junho de 2010
Incontestável Solidão
Que incontestável solidão.
Aquela quando os seres se procuram,
Mas não se encontram.
Sutilmente, o silêncio se transforma em grito.
Com tom mudo e cortante.
Agora, só vejo o sofrimento; crescendo e crescendo.
E escavando o íntimo do ser. Agora, vejo o vazio.
Vejo o vazio e o sofrimento.
Numa cumplicidade sufocante.
Agora, vejo o sufoco e o oco; “Sofrido” oco.
A desgraçada da solidão se esconde.
Entre o sufoco, o sofrimento e o oco.
Quero matá-la, agora!
Mas agora, não vejo mais nada.
Apenas sinto: Solidão, sufoco, sofrimento e oco.
E escuto: o eco da procura;
“Onde estão aqueles que têm minha felicidade?”
Não obtendo resposta, logo a busca se parte. Parte-me.
A solidão, então, engole meu tempo.
E como se não bastasse, engole minhas noites.
Então, aparece a morbidez.
Se restassem apenas três dias em minha vida,
Morreria infeliz.
Pois, meus “três dias de graça” não coexistem com a solidão.
Perco-me, então, no esquecimento...
E na caracterização... [da própria solidão]
Aquela quando os seres se procuram,
Mas não se encontram.
Sutilmente, o silêncio se transforma em grito.
Com tom mudo e cortante.
Agora, só vejo o sofrimento; crescendo e crescendo.
E escavando o íntimo do ser. Agora, vejo o vazio.
Vejo o vazio e o sofrimento.
Numa cumplicidade sufocante.
Agora, vejo o sufoco e o oco; “Sofrido” oco.
A desgraçada da solidão se esconde.
Entre o sufoco, o sofrimento e o oco.
Quero matá-la, agora!
Mas agora, não vejo mais nada.
Apenas sinto: Solidão, sufoco, sofrimento e oco.
E escuto: o eco da procura;
“Onde estão aqueles que têm minha felicidade?”
Não obtendo resposta, logo a busca se parte. Parte-me.
A solidão, então, engole meu tempo.
E como se não bastasse, engole minhas noites.
Então, aparece a morbidez.
Se restassem apenas três dias em minha vida,
Morreria infeliz.
Pois, meus “três dias de graça” não coexistem com a solidão.
Perco-me, então, no esquecimento...
E na caracterização... [da própria solidão]
O Menino-Varrido.
“Notas de um observador:
O sol não estava lá.
Havia algo fora do lugar no amanhecer do pequeno vilarejo.
A menina de trança foi até a janela ver o que sucedia.
O velho de bengala consultou o serviço metrológico no radio amador.
A senhora de chapéu azul turquesa abriu o jornal em busca do horóscopo,
Enquanto sua filha namoradeira desenhava uma interrogação em cada olhar.
O menino-varrido nem deu conta do que se passava.
Mas ele também nunca expressava a menor reação diante dos problemas coletivos.
Era metido a cientista, o menino,
E toda a gente comentava das experiências químicas e místicas que ele praticava.
Era meio altista, meio bruxo, meio mago.
Dedicava seus dias a botar truques de mágica que nunca davam certo.
Mantinha-se recluso em seu mundo de experimentações.
E não lhe sobrava tempo para manifestações
Como aquela que acontecia lá fora naquele momento.
O fato é que toda a comunidade saiu em protesto.
O bafafá tomou corpo quando finalmente olharam pro céu
E deram por falta dos raios solares que, até então,
Nunca haviam se ausentado do rotineiro amanhecer local.
O astro rei não estava lá, tinha tomado um chá de sumiço.
E cada boca sussurrava: “onde estará? Onde estará?”.
Foi quando o menino-varrido saiu gritando a toda a gente.
Ele estava radiante, pois havia realizado sua primeira mágica bem sucedida.
As palavras atropeladas brotavam de sua garganta como buquês de felicidade.
E nessa hora todos olharam pra dentro dele: O sol estava lá.”
Autor(a): Maíra Viana.
O sol não estava lá.
Havia algo fora do lugar no amanhecer do pequeno vilarejo.
A menina de trança foi até a janela ver o que sucedia.
O velho de bengala consultou o serviço metrológico no radio amador.
A senhora de chapéu azul turquesa abriu o jornal em busca do horóscopo,
Enquanto sua filha namoradeira desenhava uma interrogação em cada olhar.
O menino-varrido nem deu conta do que se passava.
Mas ele também nunca expressava a menor reação diante dos problemas coletivos.
Era metido a cientista, o menino,
E toda a gente comentava das experiências químicas e místicas que ele praticava.
Era meio altista, meio bruxo, meio mago.
Dedicava seus dias a botar truques de mágica que nunca davam certo.
Mantinha-se recluso em seu mundo de experimentações.
E não lhe sobrava tempo para manifestações
Como aquela que acontecia lá fora naquele momento.
O fato é que toda a comunidade saiu em protesto.
O bafafá tomou corpo quando finalmente olharam pro céu
E deram por falta dos raios solares que, até então,
Nunca haviam se ausentado do rotineiro amanhecer local.
O astro rei não estava lá, tinha tomado um chá de sumiço.
E cada boca sussurrava: “onde estará? Onde estará?”.
Foi quando o menino-varrido saiu gritando a toda a gente.
Ele estava radiante, pois havia realizado sua primeira mágica bem sucedida.
As palavras atropeladas brotavam de sua garganta como buquês de felicidade.
E nessa hora todos olharam pra dentro dele: O sol estava lá.”
Autor(a): Maíra Viana.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
I Want You
Quando te penso, um raio de luz entra
No canteiro da porta e ilumina o meu ser.
Pratico todas as coisas que quero te dizer.
Mas quando te vejo, me erro; não sei o que fazer,
Tremo.
............................................................................
Às vezes, apenas uma mãozinha é o que falta.
Às vezes, só respirar teu mesmo ar me faz bem.
Às vezes, apenas teu suor pode adoçar meu dia.
Mas quando penso se isso pode ser verdade,
Erro-me, e tremo.
............................................................................
Se pudesse ler minha mente, seria fácil
Perceber que eu te quero.
Diga que esta de braços abertos,
E eu direi também.
............................................................................
Não consigo mentir, eu te quero.
Complete-me, liberte-me, maltrate-me;
Não consegue perceber?
Eu necessito disto!
Abra a porta, me deixe entrar!
- quero te amar.
No canteiro da porta e ilumina o meu ser.
Pratico todas as coisas que quero te dizer.
Mas quando te vejo, me erro; não sei o que fazer,
Tremo.
............................................................................
Às vezes, apenas uma mãozinha é o que falta.
Às vezes, só respirar teu mesmo ar me faz bem.
Às vezes, apenas teu suor pode adoçar meu dia.
Mas quando penso se isso pode ser verdade,
Erro-me, e tremo.
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Se pudesse ler minha mente, seria fácil
Perceber que eu te quero.
Diga que esta de braços abertos,
E eu direi também.
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Não consigo mentir, eu te quero.
Complete-me, liberte-me, maltrate-me;
Não consegue perceber?
Eu necessito disto!
Abra a porta, me deixe entrar!
- quero te amar.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
91 Anos de CMF!
Os olhos da cidade estavam lá, além dos mil olhos atentos.
Estrelas de luzes "não-próprias" brilhavam ao redor.
Sete cores encontravam-se no branco dos uniformes!Prédios como espectadores, carros como lanternas
E o escuro do céu para aumentar o brilho!
E o astro-mestre da noite, dessa vez, foi aquele prédio
De noventa e um anos que, com um brilho a mais,
Observava seus caçulas e primogênitos.
A casa de Eudoro Corrêa choraria se tivesse olhos de verdade.
O dia de noventa e um anos de história,
Ou deveria dizer: o dia “nove mais um”.
Ficará para a história, literalmente.
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