O preconceito cega o coração daquele convencido demais de sua visão; é mais cego ainda aquele que não enxerga um ato de camaradagem, pois pesa os erros mil vezes maior que os acertos, sem perceber que uma simples palavra altruísta pode mudar uma vida. Uma simples palavra de carinho, respeito e cuidado pode soar como a mais bela canção nos ouvidos de quem a recebe.
Aprendi isso com um cara, numa madrugada qualquer; uma madrugada que seria normal, se não fosse o gesto de, no mínimo, admiração, de outra pessoa: cara, você é legal, por isso estou conversando contigo; pois o mesmo gesto ele presenciou, quando sussurraram no ouvido dele, depois de um assalto: meu maior medo foi te perder naquele momento, você é a única coisa que eu tenho na vida.
Enquanto, aquela que amo, parece não sentir o mesmo. Sinto a sua falta, mesmo nunca tendo sentido sua presença, e ela parece nem perceber; e eu sinto um vazio, que nada mais é que vazio. Se o amor é estúpido, revelo minha fraqueza. Talvez, não seja você aquela que irá me salvar, ou aliviar minha dor; mas se não és tu, quem mais poderia ser? Você me assalta quando dá um passo para trás; pois, quando você caminha para longe, quem mais fica?
Deixa pra lá, já que não é você quem vai me salvar.